terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Conversão à Ortodoxia


Arq. Placide Deseille

Eis algumas palavras do Rev. Arquimandrita Placide Deseille, monge atonita e teólogo renomado, convertido do seio da Igreja de Roma a tradição plena da Única Igreja de Cristo:


Decerto, somos mesmo bem “convertidos”, no sentido de termos passado da Igreja Romana – para com a qual guardamos uma gratidão imensa por tudo que dela recebemos no seio de nossas famílias e do povo cristão que nos carrega a tanto tempo (povo francês) – a Igreja Ortodoxa.  No entanto, esta Igreja Ortodoxa não é simplesmente uma Igreja “oriental”, uma expressão oriental da fé cristã: ela é a Igreja de Cristo. O essencial de sua tradição foi a transmissão comum de todos os cristãos durante os primeiros séculos, e entrando em comunhão com ela, não fazemos nada mais do que retornar a esta fonte. Não “trocamos de Igreja”: somente desejamos entrar na plenitude original da única Igreja de Cristo.  Sentimos plenamente o número destes cristãos do ocidente que “pedem para serem admitidos na Igreja Ortodoxa, sem renegarem, todavia, que o ocidente, e mais particularmente suas pátrias, antes e depois da separação e do cisma, trazem a marca do Espírito de Deus que sopra lá onde Ele quer”.


Depois de se fazer batizar nas águas da Santa Ortodoxia, no Santo Monastério atonita de Simonos Petra na Santa Montanha, em companhia de mais dois irmãos em Cristo, recebe o doce consolo por parte de um Ancião renomado (Padre Gelásios) … as seguintes palavras:


Vós não sois católicos romanos convertidos a Ortodoxia grega. Vós sois cristãos do ocidente, membros da Igreja de Roma que regressaram a comunhão com a Igreja universal. Isto é muito maior e mais importante.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

A forca de Ortodoxia hoje


A forca da Ortodoxia esta em sua Tradicao biblica-patristica, tanto de forma dogmatica como liturgica; mas somente sob a condicao de que esta Tradicao seja interpretada de uma maneira que a torne relevante as necessidades essenciais da humanidade.
Teologia eh e sera, cada vez mais, a condicao sine qua non para sobrevivencia da Igreja Ortodoxa no novo milenio. Desde que o Logos tornou-Se encarnado e nosso dia-Logos interpessoal entre Deus e o mundo, a teologia ortodoxa nao deve temer o dialogo com cultura alguma. Este eh o unico caminho para afirmar sua singular importancia e indispensabilidade. Assim, se tomamos tudo isto em consideracao podemos responder muito mais facilmente a questao de como nossa educacao teologica ortodoxa pode vir a ser algo e ter uma relacao com nossa cultura. Nossa educacao teologica e cultural devem existir no proprio intetior desta cultura, para o beneficio da humanidade. Tal coexistencia, todavia, deve apresentar alguns aspectos positivos. Ao interrompermos o monologo ortodoxo, devemos buscar nao fazer da teologia algo de simplesmente esoterico que tem a ver com pessoas esotericas, mas antes devemos relaciona-la com a cultura de nosso tempo, de uma maneira tanto tradicional como inovadora. Nossa grande realizacao sera se conseguirmos contribuir a uniao entre a tradicao ortodoxa e nossos tempos. Precisamos muito disto na Igreja Ortodoxa, e isto nao eh nada de tao radical assim...o quanto possa parecer.
Por conta disso, o objetivo mor de nossa teologia no novo milenio sera a „sintese neo-patristica“, que significa uma busca profunda pelo significado existencial da teologia dos Santos Padres da Igreja e, doravante, uma sintese da mesma. E se nosso caro Arcipreste Florovski pos os primeiros principios  de maneira clara e precisa, alicercando os fundamentos desta ecumenica e neo-patristica teologia ortodoxa, somos obrigados a desenvolve-los no porvir. Isto implica um encontro  tanto com a mente antiga como com a moderna. Nao eh um entendimento facil na corrente confusao teologica da qual somos vitimas hoje, onde verdadeiras aspiracoes a serios pensamentos teologicos sao substituidas por slogans teologicos e muita loquacidade religiosa. Podemos construir sobre as fundacoes acima mencionadas com zelo construtivo e criativo, mas nao por meio de imitacoes ou copia. A questao crucial, entao, nao eh se a teologica neo-patristica, moderna, pode adotar certos conceitos cultural-filosoficos, mas antes suas tentativas hermeneuticas e epistemologicas, baseadas em Tradicao biblica-patristica, representam o unico caminho correto a estabelecer um dialogo criativo com a cultura post-moderna, e se tais atitudes justificam varias expressoes modernas tanto culturais como filosoficas na humanidade moderna. Com a correta interpretacao dos dogmas a luz das preocupacoes existenciais de hoje e de amanha, a cultura ortodoxa, encontrando-se no fim de uma cultura historica moldada pela Iluminacao, deve apresentar-se como uma alternativa a cultura do pluralismo e, como tal, deve ser proclamada por todos aqueles que compartilham seus tesouros.


pelo Bispo Maksim Vasiljevic

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

CASA SOPHIA - LOJA VIRTUAL - ARTE RELIGIOSA

A CASA SOPHIA oferece uma vasta gama em artigos de arte religiosa para devocao pessoal e comunitaria na vida do cristao. Pioneira nesta area em nossas terras brasileiras, traz artigos importados da Grecia, Servia, Russia, Montenegro, Monte Athos... 

Excelente gama de icones encolados, incenso bizantino, carvao, incensario manual, livros de literatura ortodoxa em portugues, CDs de musica liturgica, lamparinas a oleo, crucifixos, cruzes e muito mais.

Icones escritos e paramentos liturgicos tambem podem ser encomendados tendo em vista o prazo de entrega devido a parceria com Monasterios e artesaos livres neste oficio.

Vale a pena visitar a website - http://casasophia.tanlup.com/

Lamparina a oleo 

Lamparina a oleo

Icone mediano da Theotokos das 3 maos (Hilandar)

Crufifixo peitoral em prata

Crucifixo de parede em madeira entalhada a mao

Placa Theotokos em madeira entalhada a mao

Cordao de oracao - modelo bracelete

Incensario manual

CD de musica liturgica - Dvina Ljubojevitch

Vida & Obra de Sao Savas da Servia - literatura espiritual em portugues

Carvao para incenso - pequeno

Incenso bizantino - produto monastico


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Sermão sobre a Epifania


Epifania 

Celebramos há pouco o dia em que a Virgem imaculada deu à luz o Salvador dos homens e agora, amados filhos, a venerável Festa da Epifania vem prolongar nossa alegria. Assim, em meio às solenidades sucessivas desses mistérios que se aparentam, o ardor de nosso entusiasmo e o fervor de nossa fé não poderão arrefecer.

Na verdade, interessava à salvação de todo o gênero humano que a infância do Mediador entre Deus e os homens já fosse anunciada ao mundo quando ainda estava oculta numa humilde cidadezinha. Embora Ele tivesse escolhido o povo de Israel e uma só família desse povo para aí assumir a natureza comum a toda a humanidade, não quis esconder as primícias de Seu nascimento nos estreitos limites da habitação materna; mas quis ser logo conhecido por todos, aquele que Se dignara nascer para todos. Eis por que apareceu a três magos, em terras do Oriente, uma estrela de insólito fulgor, mais brilhante e mais bela do que os outros astros, e capaz de atrair facilmente o olhar e atenção daqueles que a observam, fazendo-os logo perceber que uma coisa tão extraordinária não podia deixar de ter sentido. Aquele que apresentou esse sinal tornou-o portanto compreensível aos que o viram; Ele os fez procurar aquilo que lhes deu a compreender e se deixou encontrar pelos que O procuravam.

Os três homens seguem pois a direção da luz celeste e ao caminharem, com o olhar voltado para o astro que os guia, são conduzidos pelo esplendor da graça ao conhecimento da verdade. Julgavam, conforme a razão humana, que se devia procurar na cidade real o nascimento do Rei que lhes fora anunciado. Mais Aquele que revestira a forma de servo[1] e não viera para julgar e sim para ser julgado escolhera Belém para o Seu nascimento e Jerusalém para a Sua paixão. Ora Herodes, ouvindo dizer que nascera um Rei dos judeus, atemorizou-se, suspeitando um sucessor; e tramando o assassínio do Autor da salvação, ofereceu hipocritamente seu auxílio. Como seria feliz se imitasse a fé dos magos, se pusesse a serviço da religião o empenho que consagrava à perfídia! Ó cega impiedade de uma inveja insensata, que julgas poder transtornar com teu furor o desígnio de Deus! O Senhor do Universo não procura um reino temporal, Ele que dá um reino eterno. Por que te esforças por alterar a ordem imutável das disposições providenciais e te adiantar num crime que será dos outros? A morte de Cristo não é para teu tempo. É preciso fundar antes o Evangelho, pregar antes o Reino de Deus, curar antes os doentes e fazer milagres. Por que queres seja teu o delito que será obra de outro? Não vais gozar do resultado desse crime, e te perdes só por tua intenção culpável? De nada te aproveitam esses planos, nada realizas com eles. Aquele que nasceu quando quis morrerá conforme a livre disposição de Sua vontade.

Os magos realizam pois o seu desejo e, guiados pela mesma estrela chegam até o Menino, o Senhor Jesus Cristo. Adoram o Verbo na carne, a Sabedoria na infância, a força na fraqueza e, na realidade de um homem, o Senhor de majestade. E para apresentarem uma homenagem[2] de sua fé e de sua compreensão, testemunham, por meio de dons, aquilo que crêem em seus corações. Oferecem incenso ao Deus, mirra ao homem e ouro ao rei, venerando conscientemente na unidade a natureza divina e a natureza humana, pois as propriedades de cada substância se reuniam numa só dignidade.

Tendo os magos voltado à sua pátria e Jesus sido levado para o Egito em virtude do aviso divino, a loucura de Herodes se exaspera em inúteis maquinações. Ordena a morte de todas as crianças de Belém e, como lhe era desconhecido o Menino que ele temia, inclui numa sentença geral a todos cuja idade torna suspeitos. Mas aqueles que um rei ímpio arranca do mundo, Cristo os introduz no céu; ainda não lhes proporcionara a redenção por seu sangue, mas já lhes concedia a glória do martírio.

Elevai portanto, amados filhos, vossos corações cheios de fé à graça cintilante da luz eterna e, venerando os mistérios que obtiveram a salvação dos homens, orientai vossos atos conforme o que foi realizado em vosso favor. Amai a castidade sem mancha, porque o Cristo é Filho da virgindade. Abstende-vos dos desejos da carne que combatem contra a alma[3], assim como o Santo Apóstolo, junto de quem estamos[4], nos exorta com as palavras que lemos. Sede crianças quanto à malícia[5], porque o Senhor da Glória quis ter uma infância semelhante à dos mortais. Praticai a humildade que o Filho de Deus Se dignou ensinar a Seus Discípulos.[6] Revesti-vos da força da paciência, na qual salvareis vossas almas[7], pois Aquele que é a redenção de todos é também a força de cada um de nós. Tende gosto pelas realidades do alto, não pelas da terra.[8] Progredi, constantes, no caminho da verdade e da vida; e não vos detenham as coisas deste mundo, pois os bens do céu vos esperam; por nosso Senhor Jesus Cristo, que vive e reina, com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Amém.
  
NOTAS:
1 -  Fp.2,7.
2 - No texto: "sacramentum fidei intelligentiaeque".
3 - 1Pd.2,11
4 - São Leão falava na Basílica Vaticana, junto à confissão de São Pedro.
5 - 1Co.14,20.
6 - Mt.11,29.
7 - Lc.21,19.
8 - Col.3,2 
por São Leão Magno
fonte: "Sermões sobre o Natal e a Epifania"
Editora Vozes  -  Petrópolis, 1974