sexta-feira, 16 de setembro de 2016

CASA SOPHIA - LOJA VIRTUAL - ARTE RELIGIOSA

A CASA SOPHIA oferece uma vasta gama em artigos de arte religiosa para devocao pessoal e comunitaria na vida do cristao. Pioneira nesta area em nossas terras brasileiras, traz artigos importados da Grecia, Servia, Russia, Montenegro, Monte Athos... 

Excelente gama de icones encolados, incenso bizantino, carvao, incensario manual, livros de literatura ortodoxa em portugues, CDs de musica liturgica, lamparinas a oleo, crucifixos, cruzes e muito mais.

Icones escritos e paramentos liturgicos tambem podem ser encomendados tendo em vista o prazo de entrega devido a parceria com Monasterios e artesaos livres neste oficio.

Vale a pena visitar a website - http://casasophia.tanlup.com/

Lamparina a oleo 

Lamparina a oleo

Icone mediano da Theotokos das 3 maos (Hilandar)

Crufifixo peitoral em prata

Crucifixo de parede em madeira entalhada a mao

Placa Theotokos em madeira entalhada a mao

Cordao de oracao - modelo bracelete

Incensario manual

CD de musica liturgica - Dvina Ljubojevitch

Vida & Obra de Sao Savas da Servia - literatura espiritual em portugues

Carvao para incenso - pequeno

Incenso bizantino - produto monastico


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Sermão sobre a Epifania


Epifania 

Celebramos há pouco o dia em que a Virgem imaculada deu à luz o Salvador dos homens e agora, amados filhos, a venerável Festa da Epifania vem prolongar nossa alegria. Assim, em meio às solenidades sucessivas desses mistérios que se aparentam, o ardor de nosso entusiasmo e o fervor de nossa fé não poderão arrefecer.

Na verdade, interessava à salvação de todo o gênero humano que a infância do Mediador entre Deus e os homens já fosse anunciada ao mundo quando ainda estava oculta numa humilde cidadezinha. Embora Ele tivesse escolhido o povo de Israel e uma só família desse povo para aí assumir a natureza comum a toda a humanidade, não quis esconder as primícias de Seu nascimento nos estreitos limites da habitação materna; mas quis ser logo conhecido por todos, aquele que Se dignara nascer para todos. Eis por que apareceu a três magos, em terras do Oriente, uma estrela de insólito fulgor, mais brilhante e mais bela do que os outros astros, e capaz de atrair facilmente o olhar e atenção daqueles que a observam, fazendo-os logo perceber que uma coisa tão extraordinária não podia deixar de ter sentido. Aquele que apresentou esse sinal tornou-o portanto compreensível aos que o viram; Ele os fez procurar aquilo que lhes deu a compreender e se deixou encontrar pelos que O procuravam.

Os três homens seguem pois a direção da luz celeste e ao caminharem, com o olhar voltado para o astro que os guia, são conduzidos pelo esplendor da graça ao conhecimento da verdade. Julgavam, conforme a razão humana, que se devia procurar na cidade real o nascimento do Rei que lhes fora anunciado. Mais Aquele que revestira a forma de servo[1] e não viera para julgar e sim para ser julgado escolhera Belém para o Seu nascimento e Jerusalém para a Sua paixão. Ora Herodes, ouvindo dizer que nascera um Rei dos judeus, atemorizou-se, suspeitando um sucessor; e tramando o assassínio do Autor da salvação, ofereceu hipocritamente seu auxílio. Como seria feliz se imitasse a fé dos magos, se pusesse a serviço da religião o empenho que consagrava à perfídia! Ó cega impiedade de uma inveja insensata, que julgas poder transtornar com teu furor o desígnio de Deus! O Senhor do Universo não procura um reino temporal, Ele que dá um reino eterno. Por que te esforças por alterar a ordem imutável das disposições providenciais e te adiantar num crime que será dos outros? A morte de Cristo não é para teu tempo. É preciso fundar antes o Evangelho, pregar antes o Reino de Deus, curar antes os doentes e fazer milagres. Por que queres seja teu o delito que será obra de outro? Não vais gozar do resultado desse crime, e te perdes só por tua intenção culpável? De nada te aproveitam esses planos, nada realizas com eles. Aquele que nasceu quando quis morrerá conforme a livre disposição de Sua vontade.

Os magos realizam pois o seu desejo e, guiados pela mesma estrela chegam até o Menino, o Senhor Jesus Cristo. Adoram o Verbo na carne, a Sabedoria na infância, a força na fraqueza e, na realidade de um homem, o Senhor de majestade. E para apresentarem uma homenagem[2] de sua fé e de sua compreensão, testemunham, por meio de dons, aquilo que crêem em seus corações. Oferecem incenso ao Deus, mirra ao homem e ouro ao rei, venerando conscientemente na unidade a natureza divina e a natureza humana, pois as propriedades de cada substância se reuniam numa só dignidade.

Tendo os magos voltado à sua pátria e Jesus sido levado para o Egito em virtude do aviso divino, a loucura de Herodes se exaspera em inúteis maquinações. Ordena a morte de todas as crianças de Belém e, como lhe era desconhecido o Menino que ele temia, inclui numa sentença geral a todos cuja idade torna suspeitos. Mas aqueles que um rei ímpio arranca do mundo, Cristo os introduz no céu; ainda não lhes proporcionara a redenção por seu sangue, mas já lhes concedia a glória do martírio.

Elevai portanto, amados filhos, vossos corações cheios de fé à graça cintilante da luz eterna e, venerando os mistérios que obtiveram a salvação dos homens, orientai vossos atos conforme o que foi realizado em vosso favor. Amai a castidade sem mancha, porque o Cristo é Filho da virgindade. Abstende-vos dos desejos da carne que combatem contra a alma[3], assim como o Santo Apóstolo, junto de quem estamos[4], nos exorta com as palavras que lemos. Sede crianças quanto à malícia[5], porque o Senhor da Glória quis ter uma infância semelhante à dos mortais. Praticai a humildade que o Filho de Deus Se dignou ensinar a Seus Discípulos.[6] Revesti-vos da força da paciência, na qual salvareis vossas almas[7], pois Aquele que é a redenção de todos é também a força de cada um de nós. Tende gosto pelas realidades do alto, não pelas da terra.[8] Progredi, constantes, no caminho da verdade e da vida; e não vos detenham as coisas deste mundo, pois os bens do céu vos esperam; por nosso Senhor Jesus Cristo, que vive e reina, com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Amém.
  
NOTAS:
1 -  Fp.2,7.
2 - No texto: "sacramentum fidei intelligentiaeque".
3 - 1Pd.2,11
4 - São Leão falava na Basílica Vaticana, junto à confissão de São Pedro.
5 - 1Co.14,20.
6 - Mt.11,29.
7 - Lc.21,19.
8 - Col.3,2 
por São Leão Magno
fonte: "Sermões sobre o Natal e a Epifania"
Editora Vozes  -  Petrópolis, 1974

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

domingo, 20 de setembro de 2015

Parábola dos Talentos



No 16º Domingo após o Pentecostes, na leitura do Evangelho (Mat. 25, 14-30), a Igreja faz-nos ouvir a Parábola dos Talentos. Um homem de partida para o estrangeiro, confia a seus servos a administração de seus bens. Quando retorna pede contas desta gestão. Louva aqueles que tendo recebido cinco talentos ou dois talentos souberam duplicar esta soma. Mas reprova e rejeita "às trevas exteriores" o servo que esconde seu talento na terra e crê, assim, satisfazer as obrigações da justiça devolvendo exatamente o único talento que havia recebido.

Os bens que o mestre confia a seus servos significam os dons naturais concedidos por Deus a Suas criaturas: a saúde, a inteligência, a riqueza, etc... Tudo isto existe por Deus e para Deus; nós não somos senão intendentes encarregados de administrar os bens divinos. Mas os talentos significam sobretudo os dons sobrenaturais, a comunicação da vida divina aos homens, as graças que são derramadas sobre nós a cada instante. Esta Parábola, temos que reconhecer, é bastante assustadora. Pois qual dentre nós pode dizer ter conservado integralmente o capital de dons naturais e sobrenaturais recebidos de Deus? Não teremos abusado destas graças, não as teremos profanado e desperdiçado? Com mais razão ainda, qual dentre nós ousará dizer que manteve o depósito que lhe foi confiado, que duplicou ou triplicou-o? Está Parábola traz-nos ao mesmo tempo uma mensagem de rigor e bondade, e não temos o direito de suprimir um ou outro destes dois aspectos. Três frases da Parábola exprimem bem esta dualidade de aspectos e são aptas a fortificar em nós de um lado o temor e de outro a confiança filial. É primeiramente a frase insultuosa do mau servo: "Senhor, aprendi a conhecer-te como homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste. ...Assim, tive medo". O Mestre reprova-lhe a frase: "Mau e negligente servo, sabes que ceifo onde não semeei...". Parece que o erro deste servo é menos o de não ter feito frutificar seu talento do que o de ter em si uma concepção deformada, hostil e cruel de seu mestre. O que a frase sugere, sem entretanto dizer, é que se o servo tivesse falado de outra maneira, se tivesse dito: "Senhor, eu sei que tu és um mestre misericordioso, que sabes colher ali onde eu não soube semear... e é por isso, apesar do meu grande erro, que venho a ti com confiança" - o seu mestre o teria então perdoado. Outra frase de grande importância é esta: "A qualquer que tiver será dado... mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado". Muitos acham esta frase dura e incompreensível. Mas seu sentido é simples: um erro chama outro; uma boa ação chama outra; se cedes ao mal uma vez, torna-te-ás mais fraco, cederás outra vez, e outras ainda, e encontrar-te-ás numa ladeira escorregadia onde te será cada vez mais difícil parar, e perderás até o pouco que tinhas; ao contrário, o menor esforço em direção a Deus, ainda que pequeno, tornará mais fácil outros esforços, e quanto mais te esforçares, mais graça abundará, mais te será dado. Notemos enfim esta frase: "Bom e fiel servo... sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei". A fidelidade nas pequenas coisas é o primeiro passo do caminho, é a condição necessária à fidelidade nas grandes coisas. Se não sou capaz de grandes coisas, tentarei ao menos as pequenas. Se dilapidei os talentos que me foram confiados, recomeçarei humildemente, pacientemente, a ser fiel em todas as pequenas coisas, a ser honesto, puro, serviçal ao longo da vida cotidiana; sobre esta primeira fundação de pequenas coisas, Deus poderá construir algo maior, e um dia, talvez, eu ouça o convite: "Entra no gozo do teu Senhor".

A Epístola deste Domingo (2 Cor. 6, 1-10) continua a desenvolver o tema da Epístola do Domingo anterior. São Paulo aí descreve de novo o sofrimento e a força do Apóstolo"...nas tribulações, nas aflições, nas angústias sob os golpes, nas prisões, no fato de sermos tidos... como morrendo e eis que vivemos... como pobres mas enriquecendo a muitos... como nada tendo, nós que possuímos tudo". Mas o primeiro versículo da Epístola poderia fornecer uma conclusão apropriada à Parábola dos Talentos: "Nós vos exortamos a que não recebais a graça em vão". O versículo seguinte (e também os últimos versículos do capítulo 5 que não fazem parte da Epístola deste Domingo) precisa de qual graça trata-se aqui; a mediação de Cristo, a reconciliação com Deus por Jesus que fez-se "pecado" a fim de que pudéssemos nos tornar "justiça". Certamente, e essa é a nossa única esperança, Ele tomará nosso lugar para apresentar ao Pai, com abundância, os talentos que não soubemos fazer frutificar. Mas Ele não se encarregará de nossos talentos se não O considerarmos como o supremo talento, o único cuja aquisição por nós e o crescimento em nós são a condição de nossa salvação.

fonte: "L'An de Grâce du Seigneur"
Ed. du Cerf, 1988