domingo, 6 de agosto de 2017

Ícones e Afrescos


Ícones e afrescos — representações artísticas do nosso Salvador, dos anjos, dos santos e de passagens bíblicas — são uma parte importante de uma igreja Ortodoxa. Os ícones servem para nos lembrar de Deus, de Seus feitos de bondade e do Reino dos Céus. Eles transmitem em linhas e cores o que as Sagradas Escrituras descrevem em palavras. Essas imagens santas criam uma atmosfera de oração na igreja. Sem eles, a igreja pareceria um salão de reuniões secular.

Quando rezamos diante de um ícone, devemos nos lembrar de que não estamos orando ao material do que ele é feito, mas ao Senhor, à Mãe de Deus e aos Santos, que nele estão representados. Tudo o que vemos ou ouvimos tem um efeito nos nossos pensamentos e no nosso estado de humor; este é o modo pelo qual funciona nossa natureza humana. Por esta razão, achamos muito mais fácil concentrar na oração tendo a imagem de Deus diante de nós, do que olhando simplesmente para uma parede nua, ou outra coisa não relacionada com a oração.

Aqueles que não são Ortodoxos, freqüentemente condenam o uso dos ícones, por um mal-entendimento do significado do Segundo Mandamento, no Antigo Testamento, o qual proíbe a veneração de falsos deuses. Sabemos, pela História da Bíblia, que, enquanto o Senhor proibia a idolatria, também ordenava a Moisés mandar esculpir um querubim de ouro para cobrir a Arca da Aliança, onde Ele prometera aparecer a Moisés. “Faz um querubim numa extremidade, e um outro querubim na outra ponta... Aí hei de vir ter contigo, e contigo comungarei, desde o trono da misericórdia, entre os dois querubins que ficam em cima da arca do testemunho” (Êxodo, 25:18-22; 26:1-37).

Do mesmo modo, no Templo de Salomão, imagens esculpidas e bordadas do querubim foram encontradas no local para onde o olhar dos sacerdotes se dirigia no momento da oração. (1 [3] Reis 6:27-29; 2 Cron. [2 Paral.] 3:7-14). O Templo de Jerusalém, restaurado, no qual nosso Senhor Jesus Cristo, Seus Apóstolos e os primeiros Cristãos oraram, também continham figuras semelhantes ao querubim.

Um dos ícones mais antigos é aquele com a imagem chamada de Salvador “Não feito por mãos humanas”. A Tradição nos conta que o nosso Senhor Jesus Cristo enviou um retalho de linho com uma imagem de Sua Face, miraculosamente impressa, a Abgar, Príncipe de Edessa, que sofria de lepra. Depois de ter rezado diante daquela imagem, Abgar foi curado de seu mal.

São Lucas, o Evangelista, era um artista; ele pintou um número de retratos da Santíssima Virgem Maria. Estes serviram como modelos para ícones subseqüentes, muitos dos quais operaram milagres.

As catacumbas, aqueles lugares santificados pelas orações dos antigos cristãos, preservaram a arte sagrada daquele tempo até o presente, Em comparação com a iconografia atual, essas imagens antigas tinham uma natureza mais simbólica; no entanto, o propósito é o mesmo: lembrar-nos de Deus. Dentre as imagens usadas na antiga Arte Cristã, devemos mencionar as seguintes: o cordeiro, simbolizando o Senhor Jesus Cristo em seu sofrimento sacrificial por nós; o leão — um símbolo do Seu poder; o peixe — a palavra grega, ichthys, é um acrônimo de “Jesus Cristo, filho de Deus, Salvador”; a âncora — um símbolo da esperança cristã; a pomba — símbolo do Espírito Santo; o galo e a fênix — aves símbolo da Ressurreição; o pavão — símbolo de imortalidade; a vinha e a cesta de pão — símbolos do Sacramento da Santa Eucaristia; e muitos outros. Também encontrado nas catacumbas encontram-se composições artísticas mais complexas, ilustrando eventos bíblicos e as parábolas das Escrituras: Noé na arca; a adoração dos Magos; a ressurreição de Lázaro; o Profeta Jonas na baleia; o Profeta Moisés recebendo as tábuas da lei; as palavras do semeador, das virgens sábias e das virgens néscias, etc. Com a passagem dos séculos, esses símbolos e composições cristãos iniciais desenvolveram-se em mais finas e variadas obras de arte.

Nos ícones, Deus está representado na imagem pela qual Se revelou ao homem. Por exemplo, a Santíssima Trindade é representada na figura de três viajantes angélicos sentados a uma mesa. Este é o modo pelo qual o Senhor apareceu ao reto Abraão. Em alguns ícones, cada uma das Pessoas da Santíssima Trindade recebe uma representação simbólica distinta. Jesus Cristo é pintado na forma humana, tal como Ele apareceu quando desceu à Terra e se fez homem — como um Infante nos braços da Virgem Maria, ou ensinando às multidões e fazendo milagres, ou transfigurado, ou sofrendo na Cruz, ou jazendo na sepultura, ou ressurgindo dos mortos, ou subindo aos céus. Deus Espírito Santo é representado na forma de uma pomba, tal como Ele se revelou no Batismo de Nosso Senhor no Jordão, ou na forma de línguas de fogo, tal como desceu visivelmente sobre os santos Apóstolos no qüinquagésimo dia depois da Ressurreição de Cristo.

Os ícones são diferentes das pinturas e fotografias comuns. As imagens nos ícones devem estar de acordo com a tradição iconográfica, que foi trabalhada durante séculos. Um ícone recém pintado deveria ser abençoado na igreja, aspergido com água benta. Depois disto, torna-se um objeto sagrado, através do qual a graça do Espírito Santo atua invisivelmente. Sabe-se bem que há muitos ícones milagrosos, que proporcionaram muitas curas.

Envolvendo a cabeça do Salvador e dos santos nos ícones, há um esplendor, um círculo de luz, chamado nímbus. O nímbus simboliza a graça de Deus que repousa naquele que ele envolve. O esplendor da luz de Deus normalmente é invisível ao olho físico, mas houve tempos em que, pela vontade de Deus, tornou-se visível ao homem. Assim, por exemplo, o Profeta Moisés tem que cobrir seu rosto com um véu para não cegar as pessoas com a luz que brilhava em sua face. No Monte Tabor, aos Apóstolos foi permitido verem a irradiação da Divindade de Cristo.

Durante uma conversa com Motovilov, o rosto de São Serafim de Sarov ficou como o sol. O próprio Motovilov escreveu que ele ficou impossibilitado de mirar o rosto do santo naquele momento. Tais relatos podem ser encontrados nas vidas de muitos santos também.

Nos ícones do Salvador, as palavras gregas “IC XC”, isto é, “Aquele que é”, geralmente são inscritas no nimbo, pois Ele, sendo Deus, é para sempre. Nos ícones da Mãe de Deus, inscreve-se as letras gregas “MP OY” . Elas são uma abreviação de Mitera tou Theou — Mãe de Deus.

Um comentário:

  1. Simplesmente amo os ícones ortodoxos. Eles enriquecem os espaços com tamanha beleza nos conduzem à oração. Minha Comunidade Católica Shalom é cheia de ícones, estive em retiro na Comunidade Católica Sementes do Verbo (lugar cheio de lindos ícones), este final de semana. Amaria poder visitar uma Igreja Ortodoxa e conversar sobre tantos significados. Mas, não atendem ao telefone e eu não sei se poderia chegar e entrar, sem pedir.

    ResponderExcluir